o âmago das horas tristes, parte ii

mãos. guardo-as como se guarda a
chuva. acarinho-a como se fosse a
salvação.

…mas não. nunca
é.


os olhos fechados
são como um livro encapado.
receosos de folhear o que há dentro desse espaço.
as horas apertadas que guardo no peito,
não voltam.
aprisionadas à força, furadas com um cadeado que se fecha do lado de dentro.
as horas apertadas que guardo no peito.
perfeitas.
escondem o que fica por chorar.
minês castanheira
só lhe soube o nome quando escreveu o seu endereço de correio electrónico nas costas da minha mão. devagarinho. para não ferir a pele com o bico da esferográfica. azul. enquanto me segurava timidamente o pulso com as pontas dos dedos.
o resto da viagem foi demasiado curto.